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Diferenças geográficas alteram tipos de câncer de mama

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) acaba de lançar os resultados de um estudo que comprova que as diferenças geográficas alteram os tipos de câncer de mama nas brasileiras. As mulheres das regiões Sul e Sudeste, por exemplo, apesar de maior incidência do câncer de mama, apresentam tumores menos agressivos, enquanto as do Norte e Nordeste, têm menor frequência de casos, mas tumores mais agressivos.

Segundo a patologista Filomena M. Carvalho, membro da SBM e que liderou a pesquisa junto com Carlos E. Bacchi, diretor do Laboratório Bacchi, em Botucatu (SP), esse fato é atribuído à grande diversidade econômica, racial, cultural e ambiental que o Brasil oferece e demonstra a importância de aplicar estratégias de abordagem diferentes ao câncer de mama, levando em consideração a localidade.

“Encontramos diferenças significativas entre as cinco regiões geográficas brasileiras – tendo cada uma suas distintas composições raciais e diferenças de clima, hábitos alimentares, urbanização e condições socioeconômicas. Essas diferenças devem ser contempladas nos programas de prevenção e detecção do câncer de mama”, explica a médica.

Os pesquisadores estudaram os casos de 5.687 mulheres, no período de dois anos, provenientes das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, sendo 2.461, 1.056, 551, 678 e 553 pacientes, respectivamente. As diferenças nestes números refletem o tamanho da população em cada região e a incidência de câncer em cada uma delas. Segundo dados doInstituto Nacional do Câncer (INCA),as regiões Sul e Sudeste apresentam as maiores incidências, ou seja, 71 casos para cada 100 mil mulheres, enquanto que a menor incidência é vista na região Norte, com 21 casos para cada 100 mil mulheres.

O estudo mostrou que a distribuição dos diferentes tipos de câncer de mama difere significativamente nas diferentes regiões geográficas brasileiras. Os tumores menos agressivos, ou seja, aqueles que apresentam receptores hormonais (denominados luminais), predominam nas populações com maior frequência da doença, ou seja, nas regiões Sul e Sudeste, enquanto aqueles mais agressivos, sem expressão de receptores hormonais (perfis denominados HER2 e triplo-negativo) têm maior frequência na região Norte, seguida das regiões Centro-Oeste e Nordeste, regiões que possuem menos casos.
Considerando o alto grau de misturas raciais na população brasileira, não se pode negar que outros fatores contribuem para as diferenças encontradas, tais como o clima, hábitos alimentares, fatores culturais e grau de industrialização.

O Sul e o Sudeste têm maior contribuição de descendentes de europeus, não só racial, mas de hábitos alimentares e, inclusive, um clima mais ameno. Assim como as mulheres europeias, as brasileiras destas regiões têm histórico de tumores menos agressivos. Já as regiões Norte e Nordeste têm a maior contribuição da raça negra.

“Outros trabalhos científicos da literatura internacional já apresentaram dados que mostram que mulheres afrodescendentes, sejam europeias ou americanas, apresentam tumores mais agressivos do que as mulheres da raça branca”, explica Filomena, afirmando que os dados têm que ser discutidos e devem ser contemplados pelos órgãos responsáveis pelos programas de prevenção e detecção precoce.

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