O Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, em longa entrevista, neste sábado (14/03), ao Jornal Folha de São Paulo, faz uma auto-critica sobre os erros do Palácio do Planalto e defendeu mais diálogo do Governo Federal com a sociedade sobre as medidas do ajuste fiscal e os desafios políticos na relação com o Congresso Nacional.”As pessoas gostam de ouvir a verdade”, afirmou Berzoini, em uma de suas respostas à entrevista.
Segundo Berzoini, ‘’o governo, no conjunto, e eu me incluo, não fez uma interlocução mais objetiva, o que prejudica a percepção das pessoas do que está em jogo’’. Em seguida acrescenta.‘’O Brasil enfrentou durante seis anos uma crise mundial de altíssimo impacto, e apesar disso conseguimos a menor taxa de desemprego da história em dezembro e elevação real de 70% do salário mínimo. Mas, ao mesmo tempo, esgotamos os espaços fiscais. Mas a crise foi muito além. Estamos entrando no sétimo ano de crise internacional. Não quero, no entanto, atribuir somente as nossas dificuldades à crise interna’’.
Ao ser questionado sobre as manifestações marcadas para este domingo, o Ministro das Comunicações reconhece que a mobilização dos partidos de oposição ganha força e não se surpreenderá com uma boa presença de público. ‘’Não me surpreenderia se houver uma presença elevada de público. Especialmente porque temos um momento político com vários desafios colocados para o governo e para o Brasil’’.
De acordo com Berzoini, há uma necessidade do Governo Federal definir uma estratégia de diálogo com os brasileiros. ‘’ Nós precisamos estabelecer uma dinâmica de comunicação que permita as pessoas saberem desses desafios de maneira didática, tanto na questão econômica, que assumiu uma complexidade que não tinha há um ano, como na política, com a repercussão da Lava Jato, que coloca o tema negativo da corrupção. Nosso erro foi termos nos comunicado mal’’.
Perguntado se o Governo não foi transparente sobre os problemas econômicos no período da campanha eleitoral, o ministro das Comunicações afirmou que ‘’as pessoas fazem diferencia aquilo que é necessidade daquilo que é perversidade. Quando a situação é mais difícil, tem que buscar equilibrar as contas. É razoável que as pessoas se sintam preocupadas em relação ao futuro. As pessoas se perguntam sobre o emprego, a renda. A percepção da veracidade do que foi dito na campanha é algo que vai se construir a longo do mandato, não no curto prazo. Não podemos nos preocupar com pesquisas’’.
Berzoini considera que a crise política será superada e o Governo reconquistará popularidade. ‘’Claro, evidente. Em vários momentos da história do Brasil muitos governos enfrentaram impasses’’. Segundo ele, o Governo supera isso aprovando as medidas do ajuste fiscal, dialogando de forma transparente com a população. Ao ser questionado se essas medidas não se confrontam com o discurso de campanha, Berzoini afirmou: ‘’Não estamos fazendo ruptura com o discurso da campanha’’.0
Em crises anteriores, segundo o ministro das Comunicações, ‘’o ajuste era sobre os trabalhadores, a baixa renda e até sobre a classe média’. Ficaram seis anos sem reajuste da tabela do Imposto de Renda. Hoje, discutimos se vai ser de 4,5% ou 6,5%’’. Ele destacou, ainda, que não acredita em recessão este ano. ‘’Temos um momento que vai exigir de nós esforço para convencer as pessoas de que esse é o caminho. É esse o problema que nós tempos até agora, nós não conseguimos realizar uma comunicação eficiente em relação a isso’’.
Íntegra da reportagem em www.uol.com.br



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