
Não é uma doença nova no Ceará. Os dez casos de Síndrome de Guillain¬Barré, até abril deste ano, confirmados ontem pela Secretaria da Saúde do Estado, por enquanto, ainda são inferiores aos índices dos anos anteriores: em 2013 foram 32 casos, enquanto 38 pessoas tiveram o problema no ano passado.
Por meio de nota, a Secretaria da Saúde do Ceará esclarece que novos casos suspeitos da doença continuam em investigação clínica e, por orientação do Ministério da Saúde, serão objeto de investigação epidemiológica. Dessa maneira, a Coordenadoria de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa está orientando as unidades de assistência sobre a notificação e o detalhamento de cada ocorrência.
A doença chama atenção por causar fraqueza e até mesmo paralisia no corpo, principalmente nas pernas. A Guillain¬Barré, contudo, é considerada uma condição rara, com média de um caso a cada 100 mil habitantes.
Uma dessas pessoas foi Evaldo Nobre, de 33 anos, morador do município de Ibicuitinga. Certo dia, em 2003, ele começou a sentir alternâncias de frio e calor intensos nas pernas e antebraços. "Era Quinta¬Feira Santa, e eu passei a madrugada toda assim. Na segunda¬feira seguinte, estava andando e comecei a sentir minhas pernas ficando mais fracas. Tentei ver se conseguia correr um pouco, mas acabei caindo. Foi quando me botaram numa ambulância. Passei 44 dias no hospital em Ibicuitinga, depois mais quatro dias no Instituto Dr. José Frota e outros 30 no Hospital Geral de Fortaleza", relembra Evaldo.
Ele conta que, durante o período, conseguia movimentar apenas a cabeça. O resto do corpo mantinha¬se paralisado, mesmo para necessidades fisiológicas, como urinar e evacuar. A melhora veio com sessões de hemodiálise. "Fui diagnosticado com a Síndrome de Gullain-Barré quando estava no IJF. Lembro que, na época, havia uma outra mulher ao meu lado no hospital que estava com o mesmo problema que eu", diz. Doze anos depois, ele não teve novas manifestações da doença.
Já Francisca Viana Gomes ainda espera resultados de exames para confirmar a Guillain¬Barré. Em janeiro deste ano, ela compareceu ao Hospital de Messejana com insuficiência respiratória e parte do corpo paralisada.
"As pessoas achavam que podia ser derrame, mas não era. Isso foi no dia 12 de janeiro. Passei quatro dias no Hospital de Messejana, mas me deram alta, pois não eram especializados no problema. Em seguida fui a um médico particular, que disse que não era Guillain¬Barré. Quando me consultei no HGF, chegaram a falar que era falta de vitamina B12, mas agora fui em outro médico que permanece suspeitando da síndrome. Ainda sinto muita dormência nas minhas pernas e tem dias que eu não consigo andar. É como se eu estivesse vestindo uma meia muito apertada, uma pressão grande. Além disso, eu não tenho mais tanta sensibilidade nas pernas", diz.
A Síndrome de Guillain¬Barré é considerada uma doença neurológica, que provoca fraqueza muscular, podendo gerar paralisia no corpo. Em manifestações mais graves, cerca de 10% do total, pode paralisar a musculatura respiratória, o que pode levar à morte. No Ceará, um óbito pela doença já foi constatado. Embora a Secretaria da Saúde ainda não confirme, uma certidão de óbito de Amadeu Rodrigues, do município de Novo Oriente, traz a doença como causa da morte.
Mesmo sendo uma doença com potencial de agravamento, a parcela da população atingida ainda é considerada baixa. Embora não haja um quadro definido sobre sequelas, pacientes em casos agudos podem passar grandes períodos sem movimentos, principalmente das pernas.
Notificações
O Ministério da Saúde não considera a síndrome como uma doença de notificação compulsória, dessa forma não há informações exatas sobre a quantidade de casos confirmados da doença em anos anteriores no resto do Brasil. Atualmente, a Bahia, o Maranhão e a Paraíba também apresentam pessoas com a doença, sendo 53, 14 e seis em cada Estado, respectivamente.
A enfermidade não possui ainda uma causa delimitada. O órgão federal, entretanto, reconhece a possibilidade de relação entre a infecção por zika vírus e a ocorrência da Guillain-Barré em locais com circulação simultânea do vírus da dengue. Na Bahia, por exemplo, dos 53 casos confirmados até agora, 49 apresentavam histórico de doença exantemática, caso do zika.
Mais informações
Para maiores esclarecimentos sobre a Síndrome de Guillain¬Barré, o Ministério da Saúde deve ser procurado por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, pelo número (61) 3315.2425.
(Repórter Ranniery Melo/DN)


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