Com a acentuada queda no nível dos reservatórios que fornecem água para este Município, o abastecimento segue em situação de cautela, por parte do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), que já alerta a população para economizar, principalmente após o fim da estação chuvosa, com a maior intensidade da estiagem e o forte calor. De acordo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), os açudes Ayres de Souza (Jaibaras) e Taquara seguem em situação preocupante, com apenas 15,54% e 16,2% de volume hídrico, respectivamente.
Os reservatórios dependiam das águas do Rio Acaraú, que mantinha, por meio de sua bacia, alguns dos mais importantes açudes cearenses, como Edson Queiroz, em Santa Quitéria; o Forquilha, no município do mesmo nome; e o Paulo Sarasate (Araras), construído sobre o leito do Acaraú, cuja barragem fica no limite de Varjota e Santa Quitéria. Hoje, o Acaraú está com 5,9% de sua capacidade.
Desde o fechamento das comportas do Açude Araras, há pouco mais de um ano, o Acaraú não tem fornecido mais água bruta para o abastecimento humano na cidade. Outra preocupação é quanto à evaporação. Nessa última semana, a Cogerh divulgou, por meio de seu Portal Hidrológico, os volumes de vazão e evaporação de água diária no Jaibaras, que representam 0,09% de sua capacidade. O reservatório contém apenas 15 milhões de m3 de água. O Taquara tem uma perda para a evaporação estimada em até 96.000m3 em dias de intenso calor. Atualmente sua reserva concentra 51 milhões de m3 de água.
Na sede de Sobral, tem sido comum a reclamação sobre a falta de água, que, para alguns moradores, tem ocorrido com maior frequência. Antônia Lúcia da Silva, moradora do Bairro Renato Parente, diz que uma vez por semana tem que colocar o nome numa lista para atendimento do carro-pipa do próprio SAAE, se quiser ter água em casa. "Moro aqui há dois anos e sempre foi assim. Tem locais em que a água não chega, ou não vem com força suficiente. O carro-pipa tem feito parte do dia a dia do nosso bairro", revela.
Os moradores do Residencial Meruoca, outro bairro distante que tem sofrido com a falta de água, pensam em preparar um abaixoassinado cobrando medidas urgentes. A moradora Lúcia Fernandes diz que tem sido comum avançar madrugada adentro para encher o reservatório de casa: "É desgastante ter que ficar acordada esperando a água chegar. Mesmo assim, a pressão é muito fraca, nem sempre o reservatório enche por completo".
Sobre a falta de água
Segundo o diretor operacional do SAAE, Simão Albuquerque, o abastecimento segue normal, mas é preciso que as pessoas tenham consciência e não desperdicem. "O abastecimento na cidade opera regularmente e apenas sofre eventuais interrupções quando surgem imprevistos, como a falta de energia elétrica, o rompimento de tubulação ou dano nos equipamentos utilizados na distribuição d'água. Foram estes problemas pontuais que ocasionaram problemas de fornecimento de água em alguns bairros da cidade".



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