Prêmios
repercutem positivamente pelo Ceará. Associação e outros poetas comentam a
consagração de Mailson
A vitória de Mailson
Furtado no Prêmio Jabuti 2018 rendeu
uma repercussão bastante acalorada em solo cearense. A Associação Cearense de
Escritores (ACE), por exemplo, publicou que "Mailson é um poeta da geração
2000. Ele representa essa nova literatura que saltita nas praças, nos bares,
nos centros culturais, nos saraus onde jovens escritores - a grande maioria sem
livros publicados - anunciam suas literaturas vibrantes, sem amarras".
A instituição frisou ainda
que o autor não é "escritor palaciano, de paletó e gravata estrangulando a
voz", o que faz com que sua arte se aproxime tanto do pequeno quanto do
grande público.
Já Dércio Braúna, poeta de
Limoeiro do Norte que assina o texto final da obra premiada, imprime uma
perspectiva bastante afetiva à conquista do amigo. "De modo mais pessoal,
tenho que confessar que recebi com os olhos rasos d'água. E isso por alguns
motivos. Por ter sido uma das primeiras pessoas a ler o que viria a ser o
livro, quando o texto poético livro não era. Por aquela poesia ter me tocado de
tal forma que dias depois escrevi a ele um texto, que, gentilmente, ele fez
tornar-se um posfácio ao livro editado. Por nesses tempos termo-nos tornado
amigos, partilhadores das angústias e percalços de fazer literatura, e
sobretudo poesia, nesses nossos interiores", diz.
Por sua vez, outro poeta
independente, Bruno Paulino, de Quixeramobim, dá foco à qualidade do título.
"O fato de uma obra independente de poesia ter ganhado o prêmio surpreende
por quebrar um preconceito antigo e injusto com o gênero, de que seria para
poucos leitores. O livro venceu justamente pela singeleza do acabamento, o
artesanato da feitura, pela simplicidade; que, como disse a Clarice Lispector,
'ser simples dá muito trabalho'", poetisa.



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