Para o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems/CE),
não há, no momento, condições técnico-operacionais de reposição imediata das
vagas ocupadas por cubanos. O Estado deve perder 448 profissionais
Com o
anúncio do encerramento da cooperação internacional entre os Governos cubano e
brasileiro no Programa Mais Médicos, o Ceará deve perder 448 profissionais que,
atualmente, integram as equipes do Programa de Saúde da Família (PSF). O
efetivo representa 36% dos médicos atuando pelo Programa no Estado. O Conselho
das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems/CE) lançou, ontem, nota de
preocupação, por considerar não haver, no momento, condições
técnico-operacionais de reposição imediata das vagas que serão abertas.
Josete
Malheiros Tavares, presidente da entidade, alerta para a situação orçamentária
já deficitária dos municípios, há menos de dois meses para o fim do ano, o que
agrava ainda mais a situação. "Os orçamentos já estão no seu limite de execução
e essa dificuldade econômica já é um desafio. Imagine a realidade desses
municípios que ainda terão equipes de Saúde da Família desfeitas ou
incompletas. Existem localidades com quase 100% de suas equipes formadas por
médicos cubanos".
18.240
- vagas
compõem o Programa no país. Das mais de 18 mil vagas do Mais Médicos, 8.332 são
ocupadas por cubanos. O fim da parceria entre os dois países foi impulsionado
pelo anúncio de mudanças no projeto
Segundo
estima a entidade, o processo para que novos médicos sejam contratados e
assumam os postos que eram ocupados pelos cubanos, levará no mínimo 90 dias.
"Como ficam essas cidades em início de quadra chuvosa? É um dado
preocupante, que vai afetar os nossos indicadores", alerta Josete Tavares.
Ao todo,
118 municípios cearenses contam com reforço no atendimento, por parte dos
profissionais de Cuba, participantes do Programa. Os municípios com maior
número de profissionais são Morada Nova, com 21 médicos; Iguatu (19); Fortaleza
(15); Itapajé (13); Granja (11); Limoeiro do Norte (11); e Acopiara (10). Na
Capital, ainda segundo o Cosems/CE, as áreas mais afetadas estão na periferia.
Declaração
A decisão
de sair do País foi anunciada pelo governo de Cuba, nesta quarta-feira (14),
após declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro, que anunciou mudanças no
Mais Médicos. O país caribenho solicitou o retorno dos mais de 8 mil médicos
cubanos espalhados por todo o Brasil, após Bolsonaro questionar a preparação
dos especialistas e condicionar a permanência no programa a um teste de
capacidade, por meio do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos
(Revalida). Além disso, Bolsonaro impôs a contratação individual.
"Diante
desta realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública (Minasp) de Cuba
tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim
comunicou à diretora da Organização Panamericana da Saúde (OPS) e aos líderes
políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa", disse a
entidade em nota.
Mudanças
O governo
cubano considerou como "inaceitáveis", as mudanças anunciadas e alega
que elas violam as garantias acordadas, desde o início do programa. Em cinco
anos de trabalho no Brasil, cerca de 20 mil médicos de Cuba atenderam a 113.539
milhões de pacientes em mais de 3,6 mil municípios, chegando a compor 80% do
contingente do Mais Médicos. O Ministério da Saúde do Brasil informou que o
governo federal está tomando medidas que garantam a assistência dos
brasileiros. Nos próximos dias, segundo a entidade, será convocado um edital para
médicos que queiram ocupar as vagas.
Diário do Nordeste



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