O governo não indicou a fonte de custeio para as obrigações criadas pela
reforma da Previdência, em especial o custo da transição entre os sistemas
previdenciários, e os impactos orçamentários para os próximos anos. Este foi o
argumento usado pelo deputado federal Aliel Machado (PSB-PR) ao apresentar
Mandado de Segurança ao Supremo Tribunal Federal com o pedido de suspensão
imediata do debate da reforma.
O deputado pede ainda a concessão imediata de uma liminar para obrigar a
necessidade de apresentação dos dados sobre a reforma, para a futura avaliação
da CCJ e sua posterior votação. São citados na ação o presidente da Câmara,
Rodrigo Maia, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa,
deputado Felipe Francischini.
Na ação, o deputado, representado pelo advogado Luiz Eduardo Peccinin,
cita que a Constituição prevê que o parecer da CCJ tenha de seguir os
"aspectos de constitucionalidade, legalidade, juridicidade,
regimentalidade e de técnica legislativa". Caso não sejam respeitados
esses pontos, com a ausência de uma fonte pagadora para a nova previdência, a
Comissão terá sua função primordial ignorada.
Para o parlamentar, a PEC faz o compromisso do governo com a futura
capitalização do sistema, mas o detalhamento sobre o funcionamento desse regime
capitalizado, e especialmente como custear a sua adoção, constará da lei
complementar que o instituirá.
“Esse adiamento contraria a Constituição, e no curso da tramitação da
proposição. É clarividente que a proposição legislativa em questão cria e
altera despesas obrigatórias sem estimativa do seu impacto orçamentário e
financeiro”, explica.
Segundo a ação, as mudanças implicarão, no curto e médio prazos, um
custo de transição relacionado à redução da receita do sistema de repartição.
Isso porque parte da arrecadação deste regime (utilizada, para o pagamento de
aposentadorias de hoje e do futuro próximo) passaria a compor as reservas a
serem capitalizadas em contas individuais, para o pagamento de benefícios
futuros dos ingressantes no sistema de capitalização.
"Nesse sentido, é fundamental avaliar a magnitude dos custos de
transição de uma eventual reforma que propõe a redução das receitas do RGPS e
do RPPS, enquanto o estoque de idosos ainda precisa receber os benefícios de
aposentadorias e pensões", avalia.



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