Mais de
264 mil cearenses têm seu pequeno negócio no Estado e estão inseridos no
cadastro de microempreendedores individuais (MEIs) do Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Com o crescimento do desemprego,
mais pessoas buscam a modalidade como forma de se reinserir no mercado de
trabalho. Em um ano, houve alta de 20% na quantidade de MEIs no Ceará e em
Fortaleza.
O grande
desafio para atender bem essa quantidade de pessoas empreendedoras e cuidando
para que essa experiência seja exitosa, é o maior desenvolvimento de políticas
públicas, aponta o diretor técnico do Sebrae-CE, Alci Porto. Ele diz que essa
modalidade de negócio é descentralizada e está presente em periferias e
Interior.
De acordo
com Alci, a expansão do MEI ampara aqueles trabalhadores que perderam o emprego
durante a crise econômica no País durante os últimos anos e também beneficia os
jovens que não estão conseguindo colocação no mercado de trabalho.
"Quando
se tem uma gama de jovens chegando ao mercado, profissionais dispensados das
grandes e médias empresas, as micros e pequenas geram saldo positivo, que já
respondem de 50% a 70% dos empregos diretos, a depender do estado do
País", afirma.
Ele
lembra que como o crescimento médio dos MEIs no Ceará é de 20% por ano, esses
negócios impactam quase 500 mil pessoas, pois permitem a contratação de até uma
pessoa. "Isso acontece porque quanto menor a intensidade da atividade
empresarial, maior a presença do MEI, que se emprega por conta própria",
complementa.
Diretor
geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e doutor
em Economia, João Mário de França avalia que apesar de terem vantagem
tributária por meio do Simples Nacional, muitas empresas pequenas acabam
fechando por falta de preparo.
"Existe
o risco grande de parte das micros empresas não conseguirem se manter no
mercado, pois acabam abrindo o negócio sem realizar prospecções de mercado,
estudos de área. Na verdade, buscam 'se virar' e a probabilidade de dar errado
aumenta, pois o profissional não está preparado para ser empreendedor",
afirma.
Para
remediar o problema, o Sebrae lançou campanha nacional que promove cursos
rápidos e oficinas. A Semana do MEI 2019 acontece em 110 municípios do Estado
em parceria com instituições e prefeituras.
O
articulador da Unidade de Gestão do Relacionamento com o Cliente do Sebrae-CE,
Rafael Albuquerque, revela que pesquisa feita pela entidade notou que uma das
principais deficiências dos empreendedores está na gestão financeira do
negócio. Setenta e sete por cento não se capacitaram para gerir financeiramente
o negócio e 40% sequer realizaram registros de suas vendas.
"O
intuito é focar na temática da educação financeira. Não há um controle
financeiro adequado quando não se sabe o que entra e o que sai. A saúde
financeira do negócio pode estar comprometida sem a gestão mais efetiva",
diz.
O POVO Online



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