O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira, 19, o projeto de
Orçamento de 2019 (PLN 27/2018), o primeiro do governo de Jair Bolsonaro, que
toma posse no dia 1º de janeiro. São R$ 3,38 trilhões a serem manejados. O
substitutivo do relator-geral, senador Waldemir Moka (MDB-MS), determina um
salário mínimo de R$ 1.006,00. A inflação prevista para 2019 é de 4,2% pelo
IPCA. O crescimento do produto interno bruto (PIB) é de 2,5%. A taxa básica de
juros (Selic) é de 8%.
A votação foi rápida, graças ao acordo de líderes partidários, e teve
apenas a recomendação contrária do PSOL. Moka afirmou que manteve recursos para
a Educação e a Saúde, apesar da pouca margem de manobra.
“Nunca um relator teve menos de R$ 1 bilhão para remanejar. Neste
Orçamento, eu tive aproximadamente R$ 300 milhões para repartir entre todas as
áreas”, afirmou Moka.
O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a se reunir pelo
menos duas vezes com membros da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização (CMO) para o possível o envio de uma mensagem do governo de
transição com alterações. Mas isso não chegou a ocorrer, e o texto aprovado
pelo Congresso teve como base a proposta enviada pelo governo de Michel Temer.
O deputado delegado Waldir Oliveira (GO), líder do PSL, partido de
Bolsonaro, chegou a manifestar insatisfações com o texto, mas recomendou o voto
favorável, como todos os outros partidos.
Funcionalismo
O Orçamento de 2019 determina uma correção de 5,45% para o salário
mínimo, que chegará a R$ 1.006,00. O valor foi a soma do INPC de 4,2% esperado
para 2018, com o crescimento real do PIB de 1,0% em 2017, mais o resíduo de R$
1,75 — que faltou da correção do mínimo em janeiro de 2018.
Também foi prevista a correção do piso salarial dos agentes comunitários
de saúde e dos agentes comunitários de endemias, que passará a ser de R$
1.250,00 a partir de janeiro. Essa correção foi resultado da derrubada pelo
Congresso Nacional do veto de Temer à Lei 13.708/18, que previa esse aumento.
Para os servidores públicos do Executivo, o texto mantém os recursos
para bancar o reajuste de 209 mil funcionários civis ativos e 163 mil inativos
em 2019. Apesar de os aumentos estarem previstos em oito leis de 2016 e 2017, o
governo havia editado a Medida Provisória 849/2018, que adiava os aumentos.
Entretanto, o Congresso apresentou a proposta orçamentária com os valores
necessários para correção salarial, prevendo que a MP 849 deverá perder sua
validade dia 23 de dezembro.
Educação, Saúde e
Assistência Social
Para Manutenção e o Desenvolvimento do Ensino foram destinados R$ 101,3
bilhões. Moka observa que o montante é R$ 48,6 bilhões acima do mínimo
constitucional, estimado em R$ 52,7 bilhões.
Já o Programa Mais Médicos, que está passando por uma reformulação com a
saída dos médicos e enfermeiros cubanos, estão previstos R$ 3,7 bilhões. E para
as Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) o Relatório Geral prevê gastos da
ordem de R$ 120,4 bilhões, também acima do piso constitucional.
As grandes despesas de Assistência e Previdência Social, por sua vez,
estão orçadas em R$ 504,95 bilhões, sendo ainda necessários créditos
suplementares de R$ 248,9 bilhões — a serem aprovados pelo Congresso no ano que
vem — para que esse montante atinja o valor de R$ 753,8 bilhões. As despesas são
divididas entre os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (R$ 436,1
milhões), a compensação do Fundo do Regime Geral da Previdência Social (R$ 7,4
bilhões), os Benefícios de Prestação Continuada e Renda Mensal Vitalícia
(BPC/RMV, R$ 30,2 bilhões), o Bolsa Família (R$ 23,4 bilhões) e Subsídios e
Subvenções (R$ 7,5 bilhões).
O valor de R$ 753,8 bilhões de despesas da Previdência, orçado pelo
governo, foi modificado para se adaptar à chamada regra de ouro dos gastos
públicos. Dada a importância dessas despesas, o relator seguiu a recomendação
do governo e as escolheu para que dependam de créditos suplementares,
justamente para garantir a liberação desses recursos pelo Congresso em 2019.
A Emenda Constitucional 93, que prorrogou a Desvinculação das Receitas
da União (a DRU) até 2023, retira da Previdência 30% da arrecadação das
contribuições sociais. E de acordo com estudo da Consultoria de Orçamento da
Câmara dos Deputados, R$ 132,8 bilhões serão desvinculados dos gastos da
Previdência Social para outras despesas.
Agência Senado



0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.