O Instagram anunciou
que passará a ter mecanismos para restringir imagens que estimulem a
autoflagelação e o suicídio. Imagens de pessoas se machucando, como atos
de cortar partes de corpo, serão proibidas na rede social.
As medidas
foram uma reação à morte de uma adolescente de 14 anos no Reino Unido, no mês
passado. Após o suicídio, o caso gerou questionamentos sobre o papel do
Instagram, pela presença no perfil da moça de conteúdos mostrando formas de
autoflagelação e relacionados ao suicídio. O pai da jovem, em entrevista a
veículos de mídia, responsabilizou diretamente a plataforma.
Além
disso, outros conteúdos relacionados a essas práticas, inclusive textos, não
serão disponibilizadas nas buscas. Essas mensagens, contudo, não serão
removidas das redes sociais. O Instagram justificou que a publicação de
mensagens nesse sentido pode ter um papel de expressão em pessoas que estejam
convivendo com sofrimento e sentimentos como esses.
Antes, a
plataforma já proibia conteúdos que promovessem essas práticas. Mas permitia
mensagens relacionadas à admissão delas (como uma pessoa relatando um desejo ou
uma tentativa), como forma de alertar amigos e familiares para reagir e prestar
apoio.
Orientações de especialistas
Segundo o
Facebook, empresa controladora do Instagram, as mudanças foram formuladas a
partir do diálogo com especialistas no tema, de diferentes países. Eles teriam
indicado o efeito negativo da circulação de imagens de práticas de
autoflagelação, como cortes. Elas “podem ter um potencial de promover não
intencionalmente a autoflagelação, mesmo quando são compartilhadas no contexto
da admissão da prática ou no caminho para uma recuperação”, explicou o diretor
global de Segurança do Facebook, Antigone Davis.
Ele
acrescentou que a equipe das plataformas ainda avalia como tratar imagens de
cicatrizes. Segundo o diretor, os especialistas consultados indicaram ainda
polêmicas nos estudos acadêmicos sobre os efeitos desse tipo de imagem em
pessoas suscetíveis a cometer algum ato relacionado à prática.
As duas
redes sociais, completou Davis, continuarão fornecendo recursos para dar apoio
em situações de sofrimento, como a disponibilização, de forma acessível., de
“linhas de ajuda” a pessoas nas plataformas.
Transparência
Na
avaliação da pesquisadora de proteção de dados Marina Pita, do Instituto Alana,
decisões como essa mostram a importância da transparência por parte das
plataformas no que se refere às remoções de conteúdos e aos critérios usados
nessas medidas. A cobrança por critérios mais claros das redes sociais vêm
sendo uma demanda não somente no Brasil, como em outros países.
Além
disso, acrescentou Pita, há a necessidade de discutir a lógica de funcionamento
dos algoritmos de curadoria dos conteúdos mostrados aos usuários. Isso porque
ao identificar uma vulnerabilidade ou condição psicológica de uma pessoa,
especialmente adolescentes, o sistema passa a privilegiar conteúdos
relacionados. “A plataforma, a partir da visualização de um conteúdo,
identifica que aquele adolescente tem interesse naquele tipo de imagem e vai
reforçar isso”, alerta a pesquisadora.
Isso
ocorre, completou, em casos em que muitas vezes os usuários das redes sociais
não têm consciência dessa forma de funcionamento. Por isso, é importante discutir de
forma transparente não somente medidas como a anunciada, mas a
própria dinâmica de segmentação dos usuários e de veiculação de
publicidade a partir dela, que pode ter efeitos prejudiciais sobre os
internautas.
O Povo



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