A Santa
Casa de Misericórdia de Sobral, em parceria com o Hospital Regional Norte
(HRN), realizou 353 transplantes de córneas entre 2011 e 2018. Já as captações
saltaram de 12, em 2017, para 30 órgãos captados em 2018
Aos 70
anos de idade, após enfrentar as muitas filas que se estenderam ao longo de sua
vida, principalmente nos momentos em que necessitou de algum atendimento do
serviço público, a agricultora Neuza Rosário de Santana agora se sente em uma
situação mais confortável, segundo ela. À espera dos últimos exames para
receber uma nova córnea, Neuza não demorou a ser atendida na Santa Casa de
Misericórdia de Sobral, referência na captação e transplante de córneas na
região Norte do Estado. O momento é de comemoração pela futura recuperação da
visão, mesmo que seja parcial.
"Eu
já fui informada de que não vou voltar a enxergar 100%, mas saber que terei um
pouco da visão de volta já me deixa feliz. Para quem já esteve praticamente
cega, isso é quase um milagre", comemora, a um passo de ser submetida ao
transplante.
Avanços
Criada em
2009, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos, autorizada
pelo Ministério da Saúde, apenas para a captação e envio de órgãos a Fortaleza,
teve o serviço ampliado dois anos depois, com a realização dos primeiros
transplantes. O amplo atendimento trouxe, em 2015, outra conquista para a
região: a montagem do Banco de Olhos. "Tudo é feito aqui, a captação do
material doado, a preservação e preparo do órgão para as cirurgias, diminuindo,
consideravelmente, o tempo de espera, e gerando uma certa economia aos
pacientes, já que não precisam mais se deslocar à Capital para as cirurgias.
Nós, praticamente, não temos filas aqui", explica Ribamar Fernandes Filho,
diretor técnico do Banco de Olhos de Sobral. Entre o início das atividades, em
2011, e o ano passado, a Santa Casa realizou 353 transplantes de córneas. Ainda
segundo Fernandes Filho, a média tem sido em cerca de 50 transplantes por ano.
Córneas
O número
de captação de córnea saltou de uma, em 2017, para nove no ano passado. No
entanto, apesar de as pessoas estarem doando mais, ao longo destes anos, a
demanda tem sido diminuída, por conta do crescente número de tratamentos
eficazes que têm impactado positivamente no que se refere aos transplantes.
"Nosso diferencial, em relação ao interior do Norte e Nordeste, é o
funcionamento de um Banco de Olhos com estrutura completa, que oferece à
Central de Transplantes do Estado tudo pronto para as cirurgias", comemora
o diretor técnico. Segundo ele, em alguns casos, a espera é de no máximo uma
semana para a cirurgia.
Órgãos
No
Hospital Regional Norte, que faz a captação de outros órgãos, também houve
crescimento no número de doações. Em 2017, foram 13 captações (rins e fígados),
no ano seguinte, 30. "Temos um resultado que muito nos orgulha, que é a
manutenção de possíveis doadores, não perdemos nenhum, desde o início da
atuação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para
Transplante (CIHDOTT), há quatro anos", comemora Olon Leite, coordenador
da Comissão e membro do comitê de transplante e doação de órgãos da Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
As
expectativas para este ano são de expansão, segundo o médico. "Apesar da
melhora e dos nossos excelentes números, nosso objetivo seria que mais ninguém
esperasse por um órgão na fila de transplante. A meta é essa, não temos um
número específico".
Diário do Nordeste



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